Reserva de sangue 30% abaixo do necessário

As reservas de sangue no País continuam abaixo do necessário, apesar de as dádivas do último mês terem superado as de 2007. De acordo com dados do Instituto Português de Sangue (IPS), os níveis estão 30% abaixo do nível ideal, ou seja, atingem dois ou três dias em alguns tipos de sangue, quando a margem de segurança é de sete dias. Aos tipos de sangue A e 0 positivos que estavam já em baixa juntou-se agora o tipo B negativo, que antes era estável. Gabriel Olim, presidente do IPS, diz que a situação "continua abaixo do ideal, porque foi preciso fornecer sangue aos hospitais, que têm agora a reserva recomendável".

Ontem, o IPS tinha quase duas mil unidades de sangue, que respondem a uma procura média de dois dias. No entanto, somando a oferta do IPS à dos hospitais, o número sobe às sete mil. A carência está sobretudo ao nível do tipo 0 positivo, com apenas dois dias de margem, e dos grupos A positivo e B negativo, capazes de responder ao consumo de três dias, segundo a procura de 2007.

As reservas estão apenas estáveis nos tipos AB (positivo e negativo) e no grupo B negativo, necessários para um grupo populacional consideravelmente menor. Para responder a esta quebra, o instituto necessita de mil dádivas diárias. "Para garantirmos a segurança máxima dos portugueses, temos de ter as nossas reservas no nível verde (sete dias). Quando não está, sabemos que temos de chamar dadores e fazer mais brigadas", refere o responsável.

Há duas semanas, a situação era mais grave, apesar de não haver risco de ruptura de stocks. Os hospitais desceram abaixo dos quatro dias de oferta recomendável, o que obrigou o IPS a fazer um esforço acrescido, mas racionalizado. De acordo com Gabriel Olim, os níveis do IPS chegaram a fixar-se em 1300 sacos na situação mais grave, estando agora nos dois mil. "Fizemos um reforço na colheita e está a ter bons resultados. Os nossos centros regionais tiveram um aumento da colheita de 70% em relação a 2007 e passámos de 50 a 75 dadores por dia", sublinha.

Os dados relativos às reservas dos hospitais eram positivos ao fim da tarde de ontem, o que significa que, aos poucos, o IPS vai conseguir estabilizar os seus níveis de sangue e atingir a segurança. "No final de Fevereiro e Março temos sempre bons níveis de colheita. E aumentámos o número de brigadas no País".

Os centros de colheita, bem como os locais onde é possível dar sangue estão disponíveis no site do instituto (www.ipsangue.org).

Ninguém está em perigo

O IPS, que é actualmente responsável pela colheita de 60% do sangue em Portugal, admite alguma preocupação perante os actuais níveis da reserva, mas volta a frisar que não está ninguém em perigo por falta de sangue. O presidente do instituto deu o exemplo das pessoas do grupo 0 negativo (que só podem receber esse tipo de sangue), para as quais há uma reserva para cinco dias no instituto. "Neste momento, temos 151 unidades disponíveis, o que significa que, numa situação de emergência, tínhamos sangue para 151 pessoas."

A isto, juntam-se as unidades dos 26 hospitais que ainda fazem colheita, que ontem eram 759. "Com estas reservas, os hospitais são perfeitamente capazes de responder a todas as emergências e às cirurgias programadas", assegura Gabriel Olim.

O instituto continua a apelar à dádiva. À partida, qualquer pessoa pode dar sangue, dos 18 aos 65 anos. Mas a primeira dádiva não deve ser feita depois dos 60 anos. No caso das mulheres, é possível fazê-lo três vezes por ano e, no dos homens, basta fazer um intervalo de três meses. Pessoas submetidas a cirurgias ou que tenham feito tatuagens, por exemplo, têm de passar por um período de quarentena. A recolha é feita a par com uma entrevista confidencial e os lotes colhidos seguem procedimentos de gestão e de avaliação da segurança. Actualmente, há 272 502 portugueses na lista de dadores, o triplo dos que havia em 96. |

(Fonte: Diário de Notícias)

     
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