Bebé que recebeu células do irmão "evoluiu bem"

Frederico Manuel nasceu sem defesas imunitárias. Desde os sete meses corria perigo de vida, quando lhe foi diagnosticada uma pneumonia bastante severa. Faz hoje, precisamente, um ano, que o menino de Coimbra recebeu células doadas pelo irmão, Frederico Xavier e "está a evoluir bem", assegura a mãe ao DN.

Os dois Fredericos são, pois, irmãos de sangue duas vezes. Daqui a 15 dias, Isabel voltará a 'dar à luz' "mais um Frederico" e, de novo, recorrerá a um banco privado português para a criopreservação das células estaminais.

No caso de Frederico Manuel, as células que lhe salvaram a vida, numa doação em diferido, foram as do sangue do cordão umbilical que estavam preservadas desde o nascimento do irmão mais velho. "Foi a decisão mais correcta em toda a minha vida", assevera a progenitora, Isabel Araújo. O transplante inédito em Portugal ocorreu no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. "Neste momento ele faz um tratamento, mantém-se em vigilância, com algumas regras. O estado de saúde está a progredir favoravelmente", diz a mãe, farmacêutica de profissão.

Isabel recorreu em 2003, quando teve o primeiro filho, à técnica de colheita de células estaminais, através da Crioestaminal (Cantanhede/Coimbra). Com o segundo filho voltou a fazer o mesmo. Imaginando que o sangue do cordão umbilical dos seus filhos pudesse ser necessário "um dia". Nunca imaginando, contudo, que essa decisão lhe salvaria um dos filhos.

Frederico, hoje com dois anos, "em termos de desenvolvimento motor e psíquico, deu um grande pulo", relata a mãe, que acrescenta: "neste momento, vamos às consultas ao Porto, de 15 em 15 dias, mas tudo depende sempre da avaliação que é feita". E as melhoras, à medida que o tempo passa, são uma conquista: "O Manuel já não é alimentado pela sonda desde Julho/Agosto, já come alimentos que não lhe desencadeiem qualquer reacção alérgica, tem de ser tudo confeccionado na hora", acrescenta Isabel Araújo.

Assim que a imunodeficiência combinada severa foi diagnosticada ao bebé, de imediato o IPO do Porto contactou a Crioestaminal, onde os pais do menino tinham guardado as células estaminais.

Testada a compatibilidade, o passo seguinte foi o transplante. A par de outras quatro empresas privadas em Portugal, a Crioestaminal, cujos laboratórios se situam no Biocant Park - Parque de Biotecnologia de Portugal - cresce a ritmo acelerado.

Segundo Luís André Gomes, um dos administradores desta empresa, "há, neste momento, amostras de 20 mil clientes".

Deste universo, "95 por cento das amostras são portuguesas". A Crioestaminal, que, neste momento, "aposta na internacionalização, nomeadamente nos mercados de Espanha e Itália", mantém contactos regulares com este caso inédito em Portugal.

"O caso do Frederico Manuel é um caso de sucesso do avanço da ciência", sublinha o administrador da Crioestaminal.

(Fonte: Diário de Notícias)

     
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